terça-feira, 30 de setembro de 2014

Fiz um avião!

O INÍCIO. Na 3ª série a professora pediu que os alunos fizessem um trabalho homenageando o brasileiro Alberto Santos Dumont (1973-1932), o suposto inventor do primeiro avião. A melhor maneira de homenageá-lo seria construindo um avião que voasse. Pedi duas caixas de ovos de isopor a minha mãe. Marquei e cortei as asas e o corpo do avião com máxima precisão. Fiz dois cortes na “aeronave”, o primeiro mais ou menos no meio e outro na parte terminal para encaixar as asas. Prendi um clips na frente para garantir equilíbrio e o lancei para alto. Senti-me o próprio Santo Dumont. Os primeiros protótipos foram inviáveis para o voo e fui obrigado a construir outros até que finalmente o último conseguiu voar dignamente atingindo certa altura e estabilidade vindo pousar no telhado de casa.

Bom, ir até o telhado não era problema. Pela minha agilidade jovial, escalei o muro lateral, passei para o pé de abacate do vizinho rente ao muro e cheguei até o telhado. Pisei com cuidado nas telhas até chegar ao avião. Peguei e o joguei para o quintal. Percebi que o voo estava perfeito. No momento da volta me pendurei num galho que o meu pai havia cortado deixando um pedaço. Não era problema, estava acostumado com aquilo, contudo a descida não foi satisfatória. O galho se partiu. Newton tinha razão quanto à lei da gravidade (G). Fui puxado para o chão encontrando no meio caminho o muro lateral. Vi no meu corpo a consagração da 3ª lei de Newton – lei de ação e reação. Beijei o muro perdendo quase a metade do lábio inferior, além do corpo todo ralado. Sem entender, acordei na casa do vizinho. Desesperadamente, pela dor, levei a mão à boca e quando olhei, vi uma cor vermelha tingir os meus dedos. Não me restava outra atitude a não ser gritar pela minha mãe. O resto dá para imaginar. Porém, fiquei sem apresentar o meu avião! 

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