O INÍCIO. Na 3ª série a
professora pediu que os alunos fizessem um trabalho homenageando o brasileiro Alberto
Santos Dumont (1973-1932), o suposto inventor do primeiro avião. A melhor
maneira de homenageá-lo seria construindo um avião que voasse. Pedi duas caixas
de ovos de isopor a minha mãe. Marquei e cortei as asas e o corpo do avião com
máxima precisão. Fiz dois cortes na “aeronave”, o primeiro mais ou menos no
meio e outro na parte terminal para encaixar as asas. Prendi um clips na frente
para garantir equilíbrio e o lancei para alto. Senti-me o próprio Santo Dumont.
Os primeiros protótipos foram inviáveis para o voo e fui obrigado a construir
outros até que finalmente o último conseguiu voar dignamente atingindo certa
altura e estabilidade vindo pousar no telhado de casa.
Bom,
ir até o telhado não era problema. Pela minha agilidade jovial, escalei o muro
lateral, passei para o pé de abacate do vizinho rente ao muro e cheguei até o
telhado. Pisei com cuidado nas telhas até chegar ao avião. Peguei e o joguei
para o quintal. Percebi que o voo estava perfeito. No momento da volta me
pendurei num galho que o meu pai havia cortado deixando um pedaço. Não era
problema, estava acostumado com aquilo, contudo a descida não foi satisfatória.
O galho se partiu. Newton tinha razão quanto à lei da gravidade (G). Fui puxado
para o chão encontrando no meio caminho o muro lateral. Vi no meu corpo a
consagração da 3ª lei de Newton – lei de ação e reação. Beijei o muro perdendo
quase a metade do lábio inferior, além do corpo todo ralado. Sem entender, acordei
na casa do vizinho. Desesperadamente, pela dor, levei a mão à boca e quando
olhei, vi uma cor vermelha tingir os meus dedos. Não me restava outra atitude a
não ser gritar pela minha mãe. O resto dá para imaginar. Porém, fiquei sem
apresentar o meu avião!
